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Astrofotografia simples

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1 Astrofotografia simples em Dom Maio 10, 2015 7:53 pm

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A Astrofotografia está mais perto de todos e de cada um. Vamos por momentos esquecer telescópios, binóculos e grandes máquinas DSLR. Resta-nos alguma coisa? Sim, um céu inteiro repleto de estrelas, planetas e outros objectos que continuamos a poder registar em fotografia sem grandes manobras.

O mercado está a ser “inundado” de câmaras fotográficas digitais compactas cada vez melhores e com mais opções manuais. Se há 3 anos uma câmara compacta de 5MP era uma grande coisa, hoje as de 10MP são as mais baratas. Em astrofotografia, os megapíxeis não são algo propriamente importante (e na fotografia do dia a dia, uma câmara de 6MP é suficiente desde que a qualidade da imagem seja fiável). Neste artigo, vou mostrar-te como te podes iniciar em astrofotografia, se não tiveres nada mais que uma câmara digital compacta.

Escolher a câmera digital

Uma câmera das mais baratas pode ter “tudo” aquilo que precisas quer para fotografia diurna como nocturna. Mas isso não quer dizer que qualquer uma sirva. Uma câmara de 200€ pode não te dar tanta flexibilidade à noite como uma de 100€ ou 130€, porque cada fotógrafo tem as suas exigências e a maioria dá mais valor a um grande zoom (acima de 10X) do que à velocidade lenta do obturador, porque provavelmente nem lhe interessa fotografar à noite.

Existem portanto um conjunto de características que faz de uma câmara apta ou não apta para a fotografia nocturna / astrofotografia. Estas características não se encontram destacadas nas montras ou nas caixas (o destaque é invariavelmente o nº de megapíxeis e o zoom). Deves portanto procurar, de preferência nos sites dos fabricantes, as características completas dos seus modelos para saberes com precisão o que cada uma tem ou não.
Velocidade de obturação

Esta característica é completamente indispensável para fotografares o céu nocturno. Existem equipamentos à venda que, infelizmente, no seu modo mais lento, só atingem 1/4 de segundo. O mínimo dos mínimos para fotografares estrelas no céu são 2 segundos (num ISO alto). O ideal são entre 8 a 15 segundos, os equipamentos que vão até 60 segundos são um “must have”.

No entanto nada é gratuito, ou seja, esta funcionalidade também tem as suas desvantagens. Em primeiro lugar, a câmara tem de estar completamente fixa, seja numa superfície plana e estável, seja num tripé. Para evitar a trepidação no próprio momento do disparo, utiliza o temporizador. Ou seja, pousas a máquina, programas para cerca de 10 segundos, focas e “disparas”. Afastas-te e, durante aqueles 10 segundos, a trepidação de clicares no botão é dissipada. Quando começar a capturar a imagem, a câmara já estará imóvel e a fotografia ficará nítida.

No caso do céu nocturno existe outro “problema”. A Terra move-se, e “daqui de baixo”, são as estrelas acima da nossa cabeça que não param quietas! Basta uma fotografia com o obturador a 15 segundos, para já notares um pequeno rasto de luz, indicador do movimento. Numa exposição de 60 segundos, mais se nota evidentemente. Numa exposição de horas, fica registado na fotografia o movimento das estrelas no nosso céu ao longo desse período de tempo.

Para escolheres um equipamento que te deixe fotografar correctamente as estrelas, procura mais de 8 segundos de obturação lenta. Como poderás querer usar também a máquina na fotografia diurna (e aqui, quanto mais rápido melhor), procura uma obturação rápida superior a 1/1500. Nas características aparece-te algo deste género:

Obturador: 8 – 1/1500 ou melhor ainda: 15 – 1/2000

ISO

De um modo genérico, ISO é um indicador da sensibilidade da máquina à luz. Em ambientes bem iluminados o ISO deve ser menor (e a qualidade da fotografia é superior), no oposto, em ambientes com pouca luz, a câmara deve ter um ISO alto para conseguir receber luz correctamente (mas a qualidade da foto será menor, pois ganha granulação ou ruído). Também é certo que esta granulação pode ser reduzida e praticamente eliminada através de software, mas a definição nunca será equivalente à de um ISO mais baixo.

Para fotografia nocturna, um ISO alto é essencial, mas sempre usado com moderação. Na astrofotografia, se a velocidade do obturador for bastante lenta (acima dos 15 segundos), um ISO 100 é suficiente para captares a luz de todas as estrelas que vez no céu. Uma velocidade mais rápida (4 segundos por exemplo) já poderá exigir um ISO maior.

Para que tenhas flexibilidade e possas escolher a quantidade de ISO a usar, procura uma câmara digital com opções de ISO até 800 (mínimo) ou 1600 (recomendado). Existem equipamentos com ISO 6400 e até superiores, mas tal como dito anteriormente, a qualidade da imagem final “sofre” com isso.

Automático vs Manual

Tens de ter muita atenção neste ponto. Em primeiro lugar uma verdade inegável: nenhuma câmara digital compacta te oferece mil e um modos manuais, boa parte é automático. Em segundo lugar outra inegável: muitos modelos oferecem modos automáticos e modos manuais programáveis, podes escolher uns ou outros conforme mais te convier. Neste caso da astrofotografia, não te interessa um bom ISO ou uma velocidade lenta, se não puderes ser tu a definires a quantidade de cada um numa determinada foto.

Há uns meses deparei-me com uma máquina de uma determinada marca, cujo modo automático nocturno era a única maneira possível de fotografar com velocidade de obturador mais lenta e ISO mais alto. Qual não é o meu espanto, o modo automático não permitia desligar o flash. Nos modos que permitia, era fotografia diurna. Para que nos interessa uma máquina cujo flash nos estraga os planos e nem o podemos desligar?
E agora, apontar ao céu

Estas fotografias tive de as fazer “à pressa” porque, pelo menos aqui em Braga (Portugal), não tem havido uma noite decente nos últimos tempos, ou está encoberto, ou está mesmo a chover. Todas as imagens foram captadas com 15 segundos de exposição e com ISO variável entre 80 a 1600, numa das raras abertas que apanhei perto de minha casa.

Fonte: Astronomo Amador

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